29.10.09
16.10.09
5.8.09
NOBRE POVO...
Começo a assistir à morte lenta de um país.
O interior está a desaparecer lentamente ao sabor da nortada do fim de tarde. As vilas envelhecem em silêncio, as aldeias desaparecem em simultâneo com as práticas agricolas. A actividade humana transfere-se para a periferia das grandes cidades ou para outras aventuras longínquas...
A vida da floresta deu lugar ao vazio rochoso e nú, os campos outrora cultivados por ancestrais conhecimentos agricolas, dão o seu lugar à melancolia e à dança ondulante da giesta.
Os velhos nas casas de granito vão lutando contra o destino ... em solidão.
Um país morre devagar, em silêncio, abandonado pela prosperidade metropolitana.
13.6.09
REFÚGIOS
3.4.09
RETRATO ARDENTE
Entre os teus lábios
é que a loucura acode
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"
31.12.08
ESPERANÇA
Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
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Alexandre O'Neil,
Salvador Dali
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